sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Deu!


- Dinheiro pouco, miséria muita, doutor.
- Não contribuía com nada, mas pra beber tinha.
- Queria, não dava conta, ficava brabo e me batia.
- Conselho não faltou pra se emendar.
- Ontem, podre de bêbado, quis mexer com a menina.
- Pensei: assim já é demais, só matando.
- Foi uma só, bem no cocuruto. 

Morus

Quis assim


Viveu como nasceu e agora morria, só. 

Morus

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A Mosca Morta.



A moça dobrou a esquina com vontade de acasos, surpresas, ar livre, vida. Com vontade. Mas sua casa era de esquina e a esquina era seu caminho de sempre e sempre voltava para casa com vontade e sua vontade morria em casa como os dias na janela de vidro do seu quarto trancado. A moça se sentia sem ar. A moça parecia morta. A mosca morta. 



semhorasesemflores@blogspot.com


terça-feira, 11 de junho de 2013

Tristeza derradeira


          -Porque suas histórias geralmente tem um final triste? – Perguntou um leitor.
         -Sou ficcionista, mas tem que haver ao menos uma gotinha de realismo em minhas histórias... – Respondeu o escritor.


Jonatas Rubens Tavares                  O Portal


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Tara #2

Era uma bichinha tão afetada que estava sempre indo ao fumódromo.
Não fumava, mas adorava ser fumante passiva.

Isaac Ruy

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Entre a Cruz e a Cruz.

 
 
 
Maria era forte, no entanto se achava fraca. Não segurava uma pena nas mãos, mas carregava uma cruz nas costas.

Fingia não se incomodar com o peso. Nem sempre fingia tão bem, vezenquando andava envergada. Carregou a cruz a vida toda, acabou se achando forte por isso. Instantes antes de morrer, pensou: ao menos agora vou me livrar desse peso.

Maria agora está morta e enterrada. E a cruz permanece intacta em cima do seu corpo.






quarta-feira, 27 de março de 2013

O Quê dos Quais.





- Eu queria falar, mas não sei como. Deixe-me ver... Eu... É... Não sei por onde começar... Faltam palavras... Eu... É tão difícil falar de si mesmo, não acha?... Eu... Essa subjetividade... Vou tentar... Eu...


- Você tá muito enrolado, seja mais objetivo, diga logo qual o quê dos quais, meu querido?


- Só tem um. O primeiro.



Erika Viana - Semhorasesemflores.blogspot.com.br