quarta-feira, 1 de julho de 2015

Fábula



Um pequeno grupo de ursos polares está postado nos limites entre o gelo e o Oceano Antártico. Observam um grupo de rochedos à cerca de 50 metros do local.


— Que vocês estão vendo? — perguntou um filhote ao pai.


— Estamos nos lembrando da época em que o chão de gelo chegava até aqueles rochedos. Lá havia comida.



segunda-feira, 1 de junho de 2015

0800

Chopin


Beethoven


Os amigos europeus surpreenderam-se com sua admiração por Chopin, Beethoven, Rachmaninoff e Tchaikowsky.

Difícil foi explicar a eles que seu gosto pela música clássica não se deu pela formação familiar, pela educação musical nas escolas, ou por apresentações culturais diversas, mas sim, pelo conhecimento adquirido após dezenas de ligações para os 0800.



Fotos: Wikipédia






sexta-feira, 1 de maio de 2015

Joguinho de vôlei



Os pequenos meninos israelenses e palestinos brincam de vôlei, e logo são advertidos e obrigados pelos adultos a encerrarem o jogo.           

Apesar dos protestos das crianças, um deles furou a bola e a abandonou em um canto.         

A rede, na verdade uma cerca de arame farpado encimada com fios elétricos, voltou a função original.





Glauber Vieira Ferreira


www.prosaseviagens.blogspot.com

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Bonsai

 No berço lhe ensinaram disciplinar a metal certas expansões. Alinhar os chinelos à beira da cama. Organizar em degradê a caixa de giz. Domar a impaciência como a força vital da árvore pelas tesouras do miniaturista.
Aos sábados visitava a manhã da Liberdade e adquiria mais um exemplar. Meticuloso, dosava-lhe gotas de água e luz. Sinfonias enchiam o quarto-e-sala e os vizinhos podiam ouvir-lhe os solilóquios à varanda na madrugada.
Bom homem. Isso indicavam os chinelos à beira da janela.

                                                                                                   camisadevento.blogspot.com

segunda-feira, 14 de julho de 2014

No travesseiro

Pensar além é difícil. Ir mais longe é quase impossível quando se é limitado espiritualmente. A gente acaba por se abraçar aos pedaços de vivência que teve e tenta elaborar nossa melhor imagem, nossa melhor máscara quando necessário, pega qualquer suspiro e torna inspiração para suportar os poucos minutos que restam de um dia cansativo e angustiante, torcendo para que o amanhã, pelo amor de qualquer deus, seja melhor do que hoje.
Trancar-se no quarto, chorar baixinho em baixo do lençol, secar as lágrimas e depois sair como se nada tivesse acontecido. Nunca haverá um outro que entenda a dor e o sofrimento que sentimos por completo, a compreensão é limitada pela racionalização dos que não sentem, dos que pensam em explicações, em justificativas, em razões. Nenhuma teoria é suficientemente clara e boa para explicar a solidão que se sente por estarmos no mundo, de sermos únicos, de não podermos compartilhar nossa individualidade, que como a palavra mesma diz é individual. Somos singulares até nas dores comuns.

http://contemporaneo-pec.blogspot.com.br/

sábado, 12 de abril de 2014

Uma tarde sua mãe foi lhe visitar. Achou que já era hora de falar das visitas noturnas do pai ao seu quarto, quando ainda criança, passadas, mas não esquecidas...
A mãe disse que já sabia.
Mostrou-lhe o caminho da porta e lhe recomentou nunca mais voltar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Na parede

Na parede atrás da cabeceira da cama estava meu nome, escrito com lápis preto meio apagado, ainda está lá? Perto da cabeceira da cama, da cama que tem tantas recordações, da cama que tinha nosso cheiro no lençol, da cama onde comíamos, onde bebíamos, onde ficávamos.
A cama que é sua antes de minha, mas tão nossa quanto de qualquer outra, qualquer uma que me deixaria cheia de ciúmes, cheia de tristeza e de recordações, recordações do cheiro do lençol da cama.



Pink & Cérebro