Publicado no meu perfil do Instagram. A ilustração foi feita com o Imagine (aplicativo de IA)
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segunda-feira, 18 de setembro de 2023
terça-feira, 10 de maio de 2022
Miniconto
Entristecido, o homem está quieto, pensativo, folheando um livro sem prestar atenção nas páginas, após queixas da esposa de ser marido ausente e pai desatento às demandas da casa, dela e do pequeno.
Reflete suas próprias ações quando a esposa o interpela.
- Está chateado pelo que te falei?
- Sim.
- Porque?
- Porque é verdade.
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sexta-feira, 15 de novembro de 2019
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Silencioso, apreciando "O Grito"
O jovem está numa estação do metrô, onde existe uma exposição temporária com cópias de várias obras famosas.
Depara-se, quieto, em frente a O Grito, de Edward Munch, a famosa tela em que uma figura parece gritar em cima de uma ponte.
A monitora vê o interesse a a compenetração do rapaz em frente ao quadro e o questiona sobre sua percepção da obra.
-- Eu me vejo assim -- respondeu, simplesmente.
Do livro "Observadores de formigas" (Editora Penalux, 2019).
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quarta-feira, 27 de março de 2019
Terceira Guerra Mundial
Os sobreviventes se abrigam dentro da grande biblioteca. O inverno chega e a chance de sobreviverem aos três meses de frio está nos livros.
Cada um deles é queimado, dia a dia, hora a hora.
As chamas iluminavam o fim da civilização.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Fábula
Um pequeno grupo de ursos polares está postado nos limites entre o gelo e o Oceano Antártico. Observam um grupo de rochedos à cerca de 50 metros do local.
—
Que vocês estão vendo? — perguntou um filhote ao pai.
—
Estamos nos lembrando da época em que o chão de gelo chegava até aqueles
rochedos. Lá havia comida.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
0800
Chopin
Beethoven
Os amigos europeus surpreenderam-se com sua admiração por Chopin, Beethoven, Rachmaninoff e Tchaikowsky.
Difícil foi explicar a eles que seu gosto pela música clássica não se deu pela formação familiar, pela educação musical nas escolas, ou por apresentações culturais diversas, mas sim, pelo conhecimento adquirido após dezenas de ligações para os 0800.
Fotos: Wikipédia
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Joguinho de vôlei
Os pequenos meninos israelenses e palestinos brincam de vôlei, e logo são advertidos e obrigados pelos adultos a encerrarem o jogo.
Apesar dos protestos das crianças, um deles furou a bola e a abandonou em um canto.
A rede, na verdade uma cerca de arame farpado encimada com fios elétricos, voltou a função original.
Glauber Vieira Ferreira
www.prosaseviagens.blogspot.com
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Bonsai
No berço lhe ensinaram disciplinar a metal certas expansões. Alinhar os chinelos à beira da cama. Organizar em degradê a caixa de giz. Domar a impaciência como a força vital da árvore pelas tesouras do miniaturista.
Aos sábados visitava a manhã da Liberdade e adquiria mais um exemplar. Meticuloso, dosava-lhe gotas de água e luz. Sinfonias enchiam o quarto-e-sala e os vizinhos podiam ouvir-lhe os solilóquios à varanda na madrugada.
Bom homem. Isso indicavam os chinelos à beira da janela.
camisadevento.blogspot.com
Aos sábados visitava a manhã da Liberdade e adquiria mais um exemplar. Meticuloso, dosava-lhe gotas de água e luz. Sinfonias enchiam o quarto-e-sala e os vizinhos podiam ouvir-lhe os solilóquios à varanda na madrugada.
Bom homem. Isso indicavam os chinelos à beira da janela.
camisadevento.blogspot.com
segunda-feira, 14 de julho de 2014
No travesseiro
Pensar além é difícil. Ir mais longe é quase impossível quando se é
limitado espiritualmente. A gente acaba por se abraçar aos pedaços de
vivência que teve e tenta elaborar nossa melhor imagem, nossa melhor
máscara quando necessário, pega qualquer suspiro e torna inspiração para
suportar os poucos minutos que restam de um dia cansativo e
angustiante, torcendo para que o amanhã, pelo amor de qualquer deus,
seja melhor do que hoje.
Trancar-se no quarto, chorar baixinho em baixo do lençol, secar as
lágrimas e depois sair como se nada tivesse acontecido. Nunca haverá um
outro que entenda a dor e o sofrimento que sentimos por completo, a
compreensão é limitada pela racionalização dos que não sentem, dos que
pensam em explicações, em justificativas, em razões. Nenhuma teoria é
suficientemente clara e boa para explicar a solidão que se sente por
estarmos no mundo, de sermos únicos, de não podermos compartilhar nossa
individualidade, que como a palavra mesma diz é individual. Somos
singulares até nas dores comuns.
http://contemporaneo-pec.blogspot.com.br/
sábado, 12 de abril de 2014
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Na parede
Na parede atrás da cabeceira da cama estava meu nome, escrito com
lápis preto meio apagado, ainda está lá? Perto da cabeceira da cama,
da cama que tem tantas recordações, da cama que tinha nosso cheiro no
lençol, da cama onde comíamos, onde bebíamos, onde ficávamos.
A cama que é sua antes de minha, mas tão nossa quanto de qualquer outra, qualquer uma que me deixaria cheia de ciúmes, cheia de tristeza e de recordações, recordações do cheiro do lençol da cama.
Pink & Cérebro
A cama que é sua antes de minha, mas tão nossa quanto de qualquer outra, qualquer uma que me deixaria cheia de ciúmes, cheia de tristeza e de recordações, recordações do cheiro do lençol da cama.
Pink & Cérebro
domingo, 15 de dezembro de 2013
O que se foi
Porque o teu passado me incomoda? Faço-me a mesma pergunta todos os dias, é um martírio ver tua trajetória, tuas lutas e dores, e ver que no meio disso tudo você caiu, você caiu, meu bem caiu nas mãos de quem não te amava, nas mãos de quem não te merecia, de quem nunca te quis, e eu agora passo a bola para você: “Percebes que meu sofrimento é reflexo da tua falta de maturidade pra perceber que foi usada? E de que não basta ser usada, você ainda traz todos aqueles que te usaram para a nossa cama, para o nosso dia a dia?” Numa conversa rotineira você me fala dos teus amores e acaba comigo, me deixa no chão, me deixa sem chão.
Eu me reviro pelo avesso tentando entender, tentando aceitar, tentando engolir calado os teus “não quero discutir”, “não você não sabe a hora de parar”, abre teus olhos meu bem, porque o passado se foi, e com ele eu vou também.
Eu me reviro pelo avesso tentando entender, tentando aceitar, tentando engolir calado os teus “não quero discutir”, “não você não sabe a hora de parar”, abre teus olhos meu bem, porque o passado se foi, e com ele eu vou também.
Pink e Cérebro http://contemporaneo-pec.blogspot.com.br/
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Deu!
- Dinheiro
pouco, miséria muita, doutor.
- Não contribuía com nada, mas pra
beber tinha.
- Queria, não dava conta, ficava
brabo e me batia.
- Conselho não faltou pra se
emendar.
- Ontem, podre de bêbado, quis
mexer com a menina.
- Pensei: assim já é demais, só
matando.
- Foi uma só, bem no cocuruto.
Morus
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
A Mosca Morta.
A
moça dobrou a esquina com vontade de acasos, surpresas, ar livre, vida. Com
vontade. Mas sua casa era de esquina e a esquina era seu caminho de sempre e
sempre voltava para casa com vontade e sua vontade morria em casa como os dias
na janela de vidro do seu quarto trancado. A moça se sentia sem ar. A moça parecia
morta. A mosca morta.
semhorasesemflores@blogspot.com
terça-feira, 11 de junho de 2013
Tristeza derradeira
-Porque suas histórias geralmente tem um final triste? – Perguntou um leitor.
-Sou ficcionista, mas tem que haver ao menos uma gotinha de realismo em minhas histórias... – Respondeu o escritor.
Jonatas Rubens Tavares O Portal
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Entre a Cruz e a Cruz.
Maria era forte, no entanto se achava fraca. Não segurava uma pena nas mãos, mas carregava uma cruz nas costas.
Fingia não se incomodar com o peso. Nem sempre fingia tão bem, vezenquando andava envergada. Carregou a cruz a vida toda, acabou se achando forte por isso. Instantes antes de morrer, pensou: ao menos agora vou me livrar desse peso.
Maria agora está morta e enterrada. E a cruz permanece intacta em cima do seu corpo.
Erika Viana - semhorasesemflores@blogspot.com.br
quarta-feira, 27 de março de 2013
O Quê dos Quais.
- Eu queria falar, mas não sei como. Deixe-me ver...
Eu... É... Não sei por onde começar... Faltam palavras... Eu... É tão difícil falar de si mesmo, não acha?... Eu... Essa subjetividade... Vou
tentar... Eu...
- Você tá muito enrolado, seja mais objetivo, diga logo qual
o quê dos quais, meu querido?
- Só tem um. O primeiro.
Erika Viana - Semhorasesemflores.blogspot.com.br
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