Era uma bichinha tão afetada que estava sempre indo ao fumódromo.
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Entre a Cruz e a Cruz.
Maria era forte, no entanto se achava fraca. Não segurava uma pena nas mãos, mas carregava uma cruz nas costas.
Fingia não se incomodar com o peso. Nem sempre fingia tão bem, vezenquando andava envergada. Carregou a cruz a vida toda, acabou se achando forte por isso. Instantes antes de morrer, pensou: ao menos agora vou me livrar desse peso.
Maria agora está morta e enterrada. E a cruz permanece intacta em cima do seu corpo.
Erika Viana - semhorasesemflores@blogspot.com.br
quarta-feira, 27 de março de 2013
O Quê dos Quais.
- Eu queria falar, mas não sei como. Deixe-me ver...
Eu... É... Não sei por onde começar... Faltam palavras... Eu... É tão difícil falar de si mesmo, não acha?... Eu... Essa subjetividade... Vou
tentar... Eu...
- Você tá muito enrolado, seja mais objetivo, diga logo qual
o quê dos quais, meu querido?
- Só tem um. O primeiro.
Erika Viana - Semhorasesemflores.blogspot.com.br
domingo, 24 de março de 2013
Sedento
Tinha sede de tudo, mas isto lhe fazia sofrer. Começou a chorar, mas nem isso matou sua sede.
Nasceu com dificuldade para engolir.
Nasceu com dificuldade para engolir.
Izolita Garcia
domingo, 17 de março de 2013
Tempo de Mudança.
- O último trem
passa daqui a pouco. Tenho poucos minutos pra decidir se vou ou se fico. Ou
talvez não. Amanhã o trem passa de novo. Tenho mais tempo pra decidir. É isso.
Vou pra casa.
O que ela não
sabia é que a decisão já tinha sido tomada. Esperar por amanhã foi sua decisão.
Voltou para a sua casinha, tranquila, com a certeza de que amanhã seria mais
fácil pegar o trem e partir, respirar novos ares, deixar para trás o mofo dos
seus pulmões. Mas amanhã tardou chegar. Insônia. Náusea. Vontade de morrer. Ela
queria partir e partiu.
Uma corda laçou seu pescoço e lhe caiu melhor do que aquele cordão velho que fora da
sua avó. Já era tempo de mudar alguma coisa.
Erika Viana - semhorasesemflores.blogspot.com.br
sábado, 2 de março de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Coração Morto.
Quando criança jamais havia quebrado os ossos e a cara. Pouco sangrou ou chorou a própria dor. Mais tarde mulher, não saberia cuidar daquilo que batia dentro de si. Era seu coração feito pedra, desacostumado a sangrar.
Camila Porto
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