No berço lhe ensinaram disciplinar a metal certas expansões. Alinhar os chinelos à beira da cama. Organizar em degradê a caixa de giz. Domar a impaciência como a força vital da árvore pelas tesouras do miniaturista.
Aos sábados visitava a manhã da Liberdade e adquiria mais um exemplar. Meticuloso, dosava-lhe gotas de água e luz. Sinfonias enchiam o quarto-e-sala e os vizinhos podiam ouvir-lhe os solilóquios à varanda na madrugada.
Bom homem. Isso indicavam os chinelos à beira da janela.
camisadevento.blogspot.com
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
No travesseiro
Pensar além é difícil. Ir mais longe é quase impossível quando se é
limitado espiritualmente. A gente acaba por se abraçar aos pedaços de
vivência que teve e tenta elaborar nossa melhor imagem, nossa melhor
máscara quando necessário, pega qualquer suspiro e torna inspiração para
suportar os poucos minutos que restam de um dia cansativo e
angustiante, torcendo para que o amanhã, pelo amor de qualquer deus,
seja melhor do que hoje.
Trancar-se no quarto, chorar baixinho em baixo do lençol, secar as
lágrimas e depois sair como se nada tivesse acontecido. Nunca haverá um
outro que entenda a dor e o sofrimento que sentimos por completo, a
compreensão é limitada pela racionalização dos que não sentem, dos que
pensam em explicações, em justificativas, em razões. Nenhuma teoria é
suficientemente clara e boa para explicar a solidão que se sente por
estarmos no mundo, de sermos únicos, de não podermos compartilhar nossa
individualidade, que como a palavra mesma diz é individual. Somos
singulares até nas dores comuns.
http://contemporaneo-pec.blogspot.com.br/
sábado, 12 de abril de 2014
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Na parede
Na parede atrás da cabeceira da cama estava meu nome, escrito com
lápis preto meio apagado, ainda está lá? Perto da cabeceira da cama,
da cama que tem tantas recordações, da cama que tinha nosso cheiro no
lençol, da cama onde comíamos, onde bebíamos, onde ficávamos.
A cama que é sua antes de minha, mas tão nossa quanto de qualquer outra, qualquer uma que me deixaria cheia de ciúmes, cheia de tristeza e de recordações, recordações do cheiro do lençol da cama.
Pink & Cérebro
A cama que é sua antes de minha, mas tão nossa quanto de qualquer outra, qualquer uma que me deixaria cheia de ciúmes, cheia de tristeza e de recordações, recordações do cheiro do lençol da cama.
Pink & Cérebro
domingo, 15 de dezembro de 2013
O que se foi
Porque o teu passado me incomoda? Faço-me a mesma pergunta todos os dias, é um martírio ver tua trajetória, tuas lutas e dores, e ver que no meio disso tudo você caiu, você caiu, meu bem caiu nas mãos de quem não te amava, nas mãos de quem não te merecia, de quem nunca te quis, e eu agora passo a bola para você: “Percebes que meu sofrimento é reflexo da tua falta de maturidade pra perceber que foi usada? E de que não basta ser usada, você ainda traz todos aqueles que te usaram para a nossa cama, para o nosso dia a dia?” Numa conversa rotineira você me fala dos teus amores e acaba comigo, me deixa no chão, me deixa sem chão.
Eu me reviro pelo avesso tentando entender, tentando aceitar, tentando engolir calado os teus “não quero discutir”, “não você não sabe a hora de parar”, abre teus olhos meu bem, porque o passado se foi, e com ele eu vou também.
Eu me reviro pelo avesso tentando entender, tentando aceitar, tentando engolir calado os teus “não quero discutir”, “não você não sabe a hora de parar”, abre teus olhos meu bem, porque o passado se foi, e com ele eu vou também.
Pink e Cérebro http://contemporaneo-pec.blogspot.com.br/
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Deu!
- Dinheiro
pouco, miséria muita, doutor.
- Não contribuía com nada, mas pra
beber tinha.
- Queria, não dava conta, ficava
brabo e me batia.
- Conselho não faltou pra se
emendar.
- Ontem, podre de bêbado, quis
mexer com a menina.
- Pensei: assim já é demais, só
matando.
- Foi uma só, bem no cocuruto.
Morus
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